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Artigos

   

·  A DIFERENÇA NÃO IMPEDE A COMPETÊNCIA.

·  A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DA FAMÍLIA/PROFISSIONAIS E LEGISLAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA PESSOA SURDA.

·  A QUINTA ESTAÇÃO DO ANO.

·  AS APARÊNCIAS ENGANAM.

·  COMO SER VOLUNTÁRIO.

·  DICAS DE COMO SE APRESENTAR NO MERCADO DE TRABALHO.

·  INCLUSÃO SOCIAL.

·  O DISCURSO.

·  O QUE NÃO FAZER NAS APRESENTAÇÕES EM PÚBLICO.

·  ORÁCULO DA VIDA.

·  OS CEM ERROS MAIS COMUNS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


  

  
A DIFERENÇA NÃO IMPEDE A COMPETÊNCIA

Luana Curi Paixão
Psicopedagoga

 

Depois de sancionada a lei 10.436 em 24 de abril de 2002, onde oficializou a LIBRAS (linguagem brasileira de sinais) no Brasil tem se ouvido muito sobre a deficiência auditiva, sobre o surdo e sua inclusão na educação.
Embora muito lentamente a LIBRAS está começando a ser conhecida por todo Brasil e junto com ela começa-se a ouvir sobre o sujeito surdo, sua linguagem e sua cultura.A comunidade surda viveu afastada, melhor dizendo excluída da sociedade ouvinte por preconceito, muitas vezes pela falta de conhecimento.
Quando falamos de relacionamentos do surdo na sociedade, vemos que há uma tentativa de superar está visão, trazendo a questão do respeito ás diferenças. Nem todos somos iguais. As diferenças existem e precisam ser respeitadas.
Quando a causa é a surdez, a comunicação fica prejudicada, já que a audição e a fala são os canais por onde a sociedade passa as suas informações. E, a realidade mostra que a diferença causada pela surdez acaba levando a marginalização social.
Para podermos respeitar estas diferenças precisamos conhecê-las em sua totalidade, e para isso é necessário entender em primeiro lugar como é está linguagem LIBRAS e como funciona.
LIBRAS, ou Língua Brasileira de Sinais é a língua materna dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com essa comunidade. Como língua, esta é composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática semântica, pragmática sintaxe e outros elementos, preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerada instrumental lingüístico de poder e força. Possui todos os elementos classificatórios identificáveis de uma língua e demanda de prática para seu aprendizado, como qualquer outra língua. Foi na década de 60 que as línguas de sinais foram estudadas e analisadas, passando então a ocupar um status de língua. É uma língua viva e autônoma, reconhecida pela lingüística. Pesquisas com filhos surdos de pais surdos estabelecem que a aquisição precoce da Língua de Sinais dentro do lar é um benefício e que esta aquisição contribui para o aprendizado da língua oral como segunda língua para os surdos.
Os estudos em indivíduos surdos demonstram que a Língua de Sinais apresenta uma organização neural semelhante à língua oral, ou seja, que esta se organiza no cérebro da mesma maneira que as línguas faladas. A Língua de Sinais apresenta, por ser uma língua, um período crítico precoce para sua aquisição, considerando-se que a forma de comunicação natural é aquela para o qual o sujeito está mais bem preparado, levando-se em conta a noção de conforto estabelecido diante de qualquer tipo de aquisição na tenra idade.
A História da Educação de Surdos: No século XVII surge a língua de sinais e a sua utilização no processo de ensino. O abade L'Epée foi um dos grandes responsáveis por esse avanço. Ele reuniu surdos dos arredores de Paris e criou a primeira escola pública para surdos e também a precursora no uso da língua de sinais.
Por ter resultado positivo, essa metodologia inaugurada na França se espalhou por toda a Europa e depois pelo mundo. Entretanto, o desenvolvimento durou pouco. Essa modalidade de ensino foi abafada pela força da Medicina e da Filosofia, que não acreditavam na capacidade da pessoa surda.
A partir do Congresso de Milão em 1880 adotou-se o oralismo, método que considera a voz como o único meio de comunicação e de educação para os surdos. Desde então, foram excluídas todas as possibilidades de uso das línguas de sinais na educação dos surdos. Atualmente, os surdos educados por esse método falam dos horrores e das perseguições que sofreram ao usarem a língua de sinais. Em 1960, com o fracasso do oralismo criou-se a metodologia da comunicação total, que durou muito pouco por ter sua concepção bem parecida com a primeira. Hoje o método de educação mais utilizado é o bilingüismo.
No Brasil também existiu e ainda existe certo preconceito com os surdos que fazem sinais o ouvinte ainda se sente mais à vontade com o surdo que fala. A oficialização da LIBRAS trouxe a língua de sinais um estatus de linguagem realmente valorizando sua atuação na comunicação dos surdos e no seu relacionamento com a sociedade ouvinte. Ela começa aos poucos a ser respeitado gerando um interesse maior dos ouvintes e dos próprios deficientes auditivos em aprendê-la e divulga-la.

"Devemos ser pacientes e esperar por métodos novos e por ocasiões para a pesquisa. Devemos estar prontos, também, para abandonar um caminho que tenhamos seguido durante certo tempo, se ele nos parecer estar caminhando para um fio incerto”.
Sigmund Freud (1948) Beyond The Pleasure Principlie (Além do Princípio do Prazer)
(Extraído do livro “Audição em Crianças)”.

      Este artigo tem a finalidade de divulgar e esclarecer um pouco mais sobre o surdo, sua vivência, sua língua, sua cultura.

 

 

 

Índice

 

 


 

 

 

A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DA FAMÍLIA/PROFISSIONAIS E
LEGISLAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA PESSOA SURDA .

(Clélia Regina Ramos)

 

            A palavra INCLUSÃO tem aparecido bastante nos últimos tempos. Seja na mídia, seja nos espaços educacionais, ou nos  ( poucos) espaços ocupados pelos denominados “portadores de deficiência”.  A mim parece que com significados distintos entre si.
            Para os Surdos, por exemplo, com os quais convivo há quase dez anos como pesquisadora da Cultura Surda e há três anos como Assessora de Imprensa da FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos),  a palavra INCLUSÃO  carrega um sentido  totalmente negativo, associado com perda de identidade cultural e lingüística. Os Surdos, segundo palavras do presidente nacional da entidade, senhor Antônio Campos de Abreu, “(...) a proposta de inclusão dos Surdos no sistema regular de ensino não se adequa às reais necessidades dos Surdos, além de relegá-los a um status de “não-ouvintes”, transformando-os em pseudo-falantes de uma língua que não satisfaz suas necessidades de entendimento.
O que vem ocorrendo é um total desconhecimento da comunidade acadêmica no que se refere à cultura e à língua utilizada pela comunidade surda, desconhecimento que está encabeçado por profissionais que desconsideram a demanda imposta pela Surdez , acarretando com isso conseqüências globais na interação entre Surdos e ouvintes em todos os âmbitos.
Para a FENEIS não existe qualquer concordância a este respeito, uma vez que todos os Surdos dependem de estratégias lingüísticas que realmente satisfaçam sua demanda comunicativa, educacional e interativa. A barreira de comunicação  que existe pode ser transposta ao colocar-se o aluno Surdo em um espaço educacional onde professores e colegas ouvintes possam aprender e usar novas formas de interação. Daí, a defesa de uma escola onde existam salas de surdos e salas de ouvintes e que, em momentos diferenciados e planejados, alunos possam interagir, reservando momentos educacionais distintos para as práticas pedagógicas específicas de cada grupo.
Os prejuízos impostos pelas novas metas inclusivas podem acarretar novos traumas na vida dos Surdos brasileiros, proibidos de se comunicarem em sua língua natural desde o século passado, o que vem demonstrando o quadro de empobrecimento cultural e social dos mesmos. A escola para Surdos é uma realidade necessária para a FENEIS, que deseja ver realizado o desejo de que todo o Surdo possa ter um desenvolvimento adequado e compatível com seu potencial de cidadão brasileiro, considerando-se que suas demandas sejam respeitadas.”

Do outro lado da moeda, sob o ponto de vista da sociedade como um todo, que evidentemente inclui o espaço escolar, mas que, por hora, vamos deixar hipoteticamente de lado apenas para levarmos adiante nossa análise, a idéia da INCLUSÃO , em oposição à malfadada palavra SEGREGAÇÃO, é absolutamente favorável, positiva. Quem, no mundo globalizado dos nossos anos 90, tem coragem de, em público ao menos, ser contra a INCLUSÃO ? Inclusão das mulheres no mercado de trabalho? Isso nem mais é objeto de discussão, de tão óbvio. Mas na realidade, todos sabem, que somos nós mulheres ainda segregadas nesse mundo do trabalho, com salários abaixo dos salários dos homens, por exemplo. O espaço público brasileiro não mais admite o, agora crime, preconceito racial.  Mas olhar ao redor em um Shopping Center da Zona Sul do Rio de Janeiro e olhar ao redor no campo de futebol de qualquer favela carioca....Em um quase não vemos negros, no outro, os brancos são poucos.
            Despedir um empregado por ser homossexual, mesmo sendo ele um militar, por exemplo, nem pensar. Agora, se ele contrai o vírus da aids...No mínimo ganha uma licença para ficar em casa e não mostrar o estigma da doença.
O que se deduz do que afirmei? Que temos  um espaço público real e outro projetado, em implantação, o que seja. Que pode se tornar, que vai se tornar real, mas para isso ainda temos longo  caminho a ser percorrido.
Tentemos então entender o porque da rejeição da liderança Surda à INCLUSÃO escolar. Vamos tentar resgatar nesse breve texto, se é que isso é possível, mas tentemos, o processo histórico que desencadeou na existência de escolas especiais para surdos  no século XVIII.
            Mas sem esquecer, porém, que estaremos traçando um trajeto sob o ponto de vista do outro, do ouvinte (o que fica claro quando percebemos que as poucas fontes existentes relatam a história da educação dos surdos, da sua reabilitação para o mundo ouvinte). 
            Tarefa impossível seria tentar assumir o papel do surdo.
            Porém, como a idéia de tentarmos fazer esse  resgate desenvolveu-se a partir da leitura do texto La increible y triste historia de la sordera  do professor Carlos Sánchez, ex-assessor do ministro da educação da Venezuela e que em 1992 implantou naquele país uma política educacional bilíngüe para surdos (língua de sinais/língua oral), que por sua vez fundamenta sua pesquisa em textos de Michel Foucault, sentimo-nos  à vontade para dialogar com esses autores e aprofundar algumas questões.
                                  
            Iniciemos esse painel da história da educação dos Surdos com Aristóteles ( 384-322 a.C.). Ele    declara  que  audição  é, de todos os sentidos,  aquele que dá a  maior contribuição para o conhecimento,  já que o discurso só é compreensível porque a  fala é composta por palavras, cada uma delas um símbolo racional. Assim, para ele, um cego seria necessariamente mais inteligente que um surdo-mudo.
            Lucrécio ( 95-53 a.C.) sentencia “No hay arte possible para instruir al sordo”.
            Temos na Bíblia um relato de um milagre de Jesus que  “cura” um surdo e este se põe imediatamente a falar. Interessante lembrar que a palavra para designar surdo e mudo é única “kophoi”. Não existe língua possível para eles.
  
            Essa imagem da antiguidade persiste ainda hoje no imaginário popular . O surdo-mudo. Como se a manifestação de uma condição fosse inseparável da outra. Apesar de hoje em dia sabermos que não se nasce “mudo” porque se nasce “surdo” o senso comum mantém o conceito invariável. Ainda o surdo-mudo.
            San Juan Beverly, em fins do século VI, relata que ensinou falar um jovem surdo . Mas  as  poucas menções  nessa época a qualquer tipo de “aproximação” com os surdos fica ainda por conta de curas milagrosas ou inexplicáveis. E sempre associadas com a fala.
                        Em 1198 o papa Inocêncio III autoriza o casamento de um “mudo” , argumentando que  “apesar de não poder falar, em sinais pode se manifestar”.    
            O (re)nascimento  das cidades , as viagens colocando povos e culturas em contato parece dar ao surdo sua primeira leitura como grupo lingüístico/cultural. Podemos apontar esse momento como o do “surgimento” das línguas de sinais.  A estatística trabalha a favor dos surdos,  já que em  cada 10 mil habitantes,  em média 150 são surdos de todas as idades. É evidente que a  movimentação (lembrando  que as línguas de sinais são fala e não têm registro escrito) propiciada pelo novo momento histórico irá beneficiar o encontro dos iguais. 
            É evidente também que eles passam a ser notados. E notados como “diferentes”. Como os bufões, como os anões, como os dementes de toda espécie,  os surdos solitários  do feudo eram absorvidos como responsabilidade coletiva, assimilados, de uma certa maneira.
 Já no renascimento, dentro desse conceito de mobilidade e início da construção de uma identidade surda, eles podem até mesmo incomodar o poder instituído, já que, em grupo, sinalizando,  podem parecer estrangeiros (perigosos, maldosos, larápios, da mesma maneira como  hoje em dia vemos explodir pelo mundo todo o medo dos imigrantes).
            A preocupação com eles leva à  necessidade de aproximá-los da “normalidade”. Surge então o primeiro “professor”  de surdos da história, o monge espanhol Pedro Ponce de León   (1520-1584), da ordem dos beneditinos,  a quem se atribui também a invenção do primeiro alfabeto datilológico (alfabeto manual) . Ele ensina a três filhos de nobres a escrita e  a  fala em grego, latim e italiano. 
             O sucesso do monge, e, é claro, a nova concepção de mundo e de homem renascentista, traz ganhos reais para os surdos. E por toda Europa começam a aparecer  candidatos a essa nova “ciência”: ensinar os surdos a falar. Quais eram os recursos empregados não importavam. Assim, a comunicação gestual de todo tipo aparecerá  como recurso  na aquisição da fala.
            O mais antigo texto em língua inglesa que descreve a língua de sinais como um sistema complexo no qual  “homens que nascem surdos e mudos(...) podem argumentar e discutir retoricamente através de sinais”  é de 1644 - Chirologia ,  de autoria  de J. Bulwer. Para ele, a Língua de Sinais era universal e seus elementos constitutivos “naturais”, o que corresponderia a icônicos. O mesmo Bulwer publica em 1648 Philocophus, dedicado aos irmãos surdos  Edward e William Gostwick, barões.  Nesse texto é afirmado que um surdo pode expressar-se perfeitamente através dos sinais  como o faria um ouvinte em sua língua oral.
                   Em 1775 uma data marcante: a fundação do  Instituto de Surdos e Mudos de Paris ( atual Instituto de Jovens Surdos de Paris), onde o abade I'Epée ( 1712-1789) desenvolve seu trabalho de descrição da Língua de Sinais utilizada pelos surdos de Paris,  produzindo uma espécie de “dicionário” língua francesa/língua de sinais. Seu trabalho educacional com essa língua de sinais será conhecido e difundido por todo o mundo  como o  “método manual” ou “francês”.
     
            Há uma mudança  radical na metodologia de ensino que vigorava no renascimento,  já que os alunos de l’Epée  aprendiam a língua escrita e a língua de sinais, deixando a oralização de lado. Outro  ponto importante do trabalho do abade é que seus antigos alunos foram se tornando professores, trazendo uma mudança de comportamento inédita na comunidade surda.
            “Nas décadas seguintes à divulgação dos trabalhos de l’Epée, e, em virtude da adoção de sua metodologia em inúmeros locais, os surdos de toda uma geração, não só na França, mas também na Rússia, Escandinávia, Espanha, Itália e Estados Unidos, puderam destacar-se e ocupar postos de importância na sociedade de seu tempo, coisa que de nenhuma maneira poderiam alcançar sem a educação que receberam, na falta da qual permaneceriam limitados às tarefas mais baixas ou a mendigar pelas ruas.” (Sánchez, 1990:51 citando Stokoe:1978).
            Sánches ( p.53/54) lembra que as  concepções de L’Epée não escaparam, apesar do ineditismo da proposta,  dos preconceitos próprios de sua época, e que não poderia ter sido de outra maneira.  O abade acreditava que a língua de sinais que usavam os surdos era incompleta, devendo ser melhorada e universalizada. Com essa finalidade introduziu o que ele denominou de “signos metódicos”, que representavam as palavras da língua francesa que não existiam na codificação gestual, tais como preposições e artigos, entre outras. Em suas aulas utilizava sistematicamente os sinais naturais da língua de sinais completados com alguns signos de sua invenção, e  as frases eram estruturadas segundo a sintaxe do francês.
            Apesar disso o abade entrou para a brevíssima história relatada dos surdos  como herói. Em um livro americano escrito por dois surdos encontramos que persiste até mesmo uma lenda apontando L’Épée como “inventor” das línguas de sinais , isso até mesmo entre os surdos.
            Com a fundação, em 1790 da escola “gestualista” de Viena,  poderíamos afirmar a existência de uma  forte corrente  de valorização das línguas de sinais na educação de surdos.
            Há porém um movimento que segue por outros caminhos. Com origem reconhecida na Alemanha , a filosofia que  denominamos Oralismo difundia o “método germânico”. Para seus teóricos, um dos problemas da educação dos surdos estava exatamente no uso da comunicação gestual e na existência de escolas  residenciais especiais para surdos, que potencializavam o problema.  

            No início do século XIX  os não resolvidos problemas  educacionais dos surdos, que não deixaram de existir com  as escolas gestualistas, sofrem uma forte influência dessa filosofia “otimista”, o  Oralismo, e mesmo na França  muitas crianças surdas acabam realocadas em escolas regulares.  Segundo Sánchez (p. 66) a experiência fracassa, já que por todos os lados surgem protestos de pais e professores dos ouvintes, temendo uma  “contaminação” . Fracassada ou não, a experiência desemboca  no Congresso de Milão (1880), que reúne professores de surdos e  decide expurgar da educação dos seus pupilos a língua de sinais.  Esse pensamento dominará a educação de surdos por quase cem anos , trazendo para as comunidades surdas prejuízos enormes. Sob o ponto de vista educacional nenhum avanço foi obtido,  já que a “normalização” do surdo, ou a exigência de que ele fale, de que ele faça leitura labial, de que ele se comporte como um ouvinte,  não advém de decretos. As questões discutidas hoje em dia pelos educadores oralistas são absolutamente as mesmas que as de dois séculos atrás. Sob o ponto de vista cultural, a proibição do uso da língua de sinais no espaço escolar repercutiu profundamente nos grupos organizados de surdos, gerando seu enfraquecimento.
            
            Mais uma vez a história dá voltas e, desde 1960, quando nos Estados Unidos o lingüista William Stokoe publica um trabalho provando serem as línguas de sinais  línguas naturais com todas suas propriedades, inicia-se um repensar sobre a questão da surdez, que dará origem à filosofia da Comunicação Total e posteriomente ao Bilingüismo. O surdo passa a ser encarado como minoria  bilíngüe e bicultural e as propostas educacionais, culturais, sociais partem dessa hipótese, construindo uma nova visão da Surdez. Mais uma vez os Surdos têm suas línguas de sinais aceitas .
            Nesse ponto nos encontramos agora. Por todo o mundo há a valorização efetiva das línguas de sinais na educação dos Surdos.
Falar hoje no Brasil em INCLUSÃO escolar, evidentemente, significa para a Comunidade Surda politizada, sabedora do seu passado  de mudanças radicais, do Surdo como uma peteca na mão dos educadores de Surdos, um retrocesso. O medo do desaparecimento de uma Cultura e uma língua que a duras penas tem sobrevivido.
            Além de pesquisadora e profissional engajada na luta dos Surdos brasileiros,  sou também mãe de um jovem surdo de quinze anos.
            Meu filho nunca frequentou uma escola especial para Surdos. Durante 8 anos de sua vida Toríbio passou duas horas, 5 vezes por semana em uma clínica de reabilitação fonoaudiológica. Mais dois anos nessa jornada três vezes por semana. Após uma  mudança de cidade, ele passou a ser atendido duas vezes por semana com uma fono indivivual,  por 45 minutos.
Ao completar 12 anos, decidimos conjuntamente que Toríbio  deixaria de freqüentar a fono,  em função do acúmulo de atividades normais de um adolescente ( esportes, curso de informática) já que, além do tempo  dedicado ao estudo em casa  ele ainda conta com a ajuda de uma professora particular duas vezes por semana.
Toríbio pode ser considerado oralizado, para o padrão de sua surdez profunda. Mas sua fala não é totalmente compreensível para muitas pessoas. Nunca foi reprovado na escola. Parece ser uma pessoa feliz.
            A opção de se colocar uma criança Surda em escolas regulares traz infinitos problemas, que a cada dia nossa família  tem lutado para superar. Com amor e dedicação  em primeiro lugar, e em segundo e indispensável lugar, com muito apoio de profissionais  especializados.
Isso tem  nos custado bastante tempo e dinheiro, que  arcamos  com sacrifício e com alguma ajuda externa. Enumero a seguir algumas delas:
Próteses (Toríbio teve 4 pares nesses anos), pilhas importadas e caras, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas de vários tipos:  já fizemos  terapia familiar duas vezes,  e individualmente meu marido e eu cada vez que as coisas ficam “pesadas”, professores particulares desde a 5° série ( antes disso eu mesma fazia este trabalho),  e  as tais aulas de natação, judô, capoeira, esportes indicados para “acalmar” sua agitação.
            Esse é apenas um dos preços pagos pela INCLUSÃO ESCOLAR DOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS. Estarão os idealizadores da política educacional inclusiva dispostos a pagar essa conta?

           
Cabe a nós, pais, familiares, profissionais da área, amigos dos portadores de Deficiências e, evidentemente, os próprios Portadores de deficiência adultos, cobrá-la dos responsáveis por sua implantação, apresentando, sempre que possível nossa experiência  real, a experiência daqueles que vivenciam a situação.

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 A QUINTA ESTAÇÃO DO ANO.


No Brasil existem cinco estações do ano:primavera, verão, outono,inverno e vestibular. Assim como caem os cabelos dos pais. Os pais ficam carecas. As mães entram na menopausa. As tias dão à luz. E os tios viram sábios. E palpiteiros. Tudo muda-ruas, bares, inferninhos, butiques, fisionomias, usos e costumes.
A gente percebe logo quando um gato vai prestar vestibular pelo ar pirado que ele assume. Na praia, na roda lendo apostila. E embaixo do sol! O irmãozinho caçula-quase todo vestibulando tem um irmãozinho caçula-sai da água trazendo na mão uma bolacha-de-praia, feliz da vida, coisa de criança; no que vai mostrar a bolacha ao irmão vestibulando, é maltratado: o garotão diz que aquilo é uma equinóide irregular. O caçulinha chora. Pior para ele: vem a descrição anatômica do bicho-espinhos curtos,finos,orifícios do sistema ambulacral, por aí. Resultado: o irmãozinho caçula  pega uma trauma, nunca mais brinca com bolacha-do-mar. E aprende a primeira dura lição da vida:bolacha-do-mar cai em vestibular.
Outras vezes o vestibulando está olhando lá adiante um caiaque que singra o Atlântico, cortando os verdes mares bravios com sua branca barba de espuma. E surge a dúvida. Branca barba de espumas é um anacoluto, uma hipérbole ou é apenas frescura de cronista? Será Bilac ou Bonifácio?
Adeja uma gaivota. Gaivota também cai no vestibular por via indireta. Dos caracteres seguintes, qual permite determinar se um animal é ave? a) as penas; b) o bico córneo; c) a homeoterma; d) os membros anteriores transformados em asas; e) ou a pele quase sem glândulas? Parece fácil, mas, convenhamos, não há gaivotas que suportem uma questão dessas, ainda mais em plena primavera. Na verdade, não é primavera. É uma estação do vestibular. Uma miserável traça-de-livro,porqueira de bicho que qualquer um descarta com um chute do dedo médio, na estação do vestibular se transforma em formidável hexápode. Barata –d’água,então, dessa nem se fala. O pai, para espairecer, está lá em cima daquela pedra mandando ver uma linha com um camarão na ponta, pescando e vai queimada de sol. O filho vestibulando é implacável:-“Ei  pai, não vá pisar no hemíptero aí.”
Agora, o que costuma sacanear  pai de vestibulando são os polígonos e ipsilones da Matemática. É incrível como há ipsilones na Matemática  de vestibular. Engraçado que o y nem é brasileiro. O governo devia ver essas coisas e letras brasileiras para resolver os problemas de Matemática. Não é a toa que o governo não consegue vencer a inflação. Depende de ipsilone estrangeiro!
Os tios ficam também aborrecidos, chatos mesmo, na estação do vestibular. Aquela tia que mora na fazenda, madrinha de crisma, é a quarta vez que telefona na semana, perguntando se a família está dando gemada pro vestibulando. Se pode! O cara está com trinta de bíceps, fraturou o braço do professor de judô,tem até a fotografia dele comendo hambúrguer no McDonald’s, e a tia quer dá ovo. É demais. O outro tio, então, somente porque trabalha para a Polícia Federal, vive dando dicas. Diz que está por dentro.
-Fulano, avisa o Cecê pra não deixar de se inscrever em Uberaba. O Vestibular de Uberlândia estou sabendo que se encerra amanhã. Não esqueça de Osasco. Uma excelente faculdade, a de Osasco. Mande o Cecê fazer inscrição em Osasco,viu? Brasília ele já fez, não fez? Ótimo, assim ele fica perto do poder. Os ministérios estão sempre precisando de gente. Outra coisa:parece que vão abrir inscrições em Tucuruí. Ainda não sei bem pra quê, mas os serviços de informação já foram avisados. Avise o Cecê pra ficar de olho.
Na estação do vestibular, essa garotada bonita masca seis vezes mais chicletes de bola, bebe quinze vezes mais  refrigerante, gasta oito vezes mais tênis, e pensa com cem vezes mais intensidade em abandonar tudo e partir para a ìndia, aderindo ao incenso e à meditação.

(Texto da prova de Português do último vestibular da Universidade de Itaúna).

 

 

 

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AS APARÊNCIAS ENGANAM

Renato Ferreira Silva
rfspsique@gmail.com

 

O ser humano tem uma grande tendência a estar constantemente julgando. E o pior, cada um de nós tem a tendência de achar que faz sempre a leitura correta dos fatos. Infalivelmente. Presos a paradigmas, somos conduzidos a imaginar padrões de beleza, riqueza e felicidade, como sendo uniformes e que se enquadram a qualquer um ou a qualquer situação. Sempre o ter vencendo o ser.
Quem arquiteta armas bélicas são pessoas inteligentes, sim, mas de que serve, se os resultados são nocivos? E os que promovem as fraudes, os golpes? Inteligência destas naturezas tem valor? Há os que julgam pessoas educadas aquelas restritas em atender convenções sociais: desejar "bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigado..." Não pretendo tirar o mérito deste modo de comportamento, mas se for conduzido apenas como força de expressão ou formalidade...
Penso que educação e o viver bem a vida passa, sobretudo, pelo respeito ao próximo como Jesus orientou-nos e ensinou-nos. Mesmo tendo ciência de todo ensinamento, assim vamos levando a vida, realizando juízos de valor errôneos mesmo após o ano iniciar e nós podermos optar por outros caminhos melhores. O que me inspirou a escrever sobre o assunto - as aparências enganam - foi juntar tudo isso que penso a esta historiazinha que recebi. Quem me enviou desconhece o autor.
"Um casal tomava café no dia de suas Bodas de Ouro. A mulher passou a manteiga na casca do pão e deu para o marido, ficando com o miolo. Pensou ela:
- Sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais meu marido e, por 50 anos, sempre lhe dei o miolo. Mas hoje quis satisfazer o meu desejo.
Para sua imediata surpresa o rosto do marido abriu-se num sorriso sem fim e ele lhe disse:
- Muito obrigado por este presente, meu amor. Durante 50 anos, sempre quis comer a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, eu jamais ousei pedir!"
Comentário: "Assim é a vida... Muitas vezes nosso julgamento sobre a felicidade alheia pode ser responsável pela nossa infelicidade... Diálogo, franqueza, com delicadeza sempre, são o melhor remédio"
E agora arremato meu pensamento sobre as aparências que enganam. Veja bem se o que falei sobre a influência dos paradigmas não tem razão de ser? Somos felizes pelo que somos, gostamos, optamos ou construímos para nós e não pelo equívoco do juízo de valor de outros.

Para finalizar, um detalhe importante: olhar e enxergar são coisas muito bem distintas. As aparências enganam. E como enganam!

 

 

 

 

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COMO SER VOLUNTÁRIO
 
Luana Curi
Psicopedagoga
 


O voluntário ao contrário do que as pessoas pensam, não é apenas aquele que se oferece para trabalhar de graça em alguma instituição, sem horários definidos, sem dias definidos, sem qualificação para o cargo e nem regras para cumprir. Pensam que sendo de graça o seu trabalho qualquer coisa que fizerem já está bom.
O ser voluntário requer muito mais que isso. Devemos pensar que quando nos dispomos a fazer qualquer atividade, seja ela voluntária ou não, temos que estar qualificados para esta tarefa. A qualificação, não somos nós que sabemos e sim aqueles que estão dirigindo a instituição e vendo qual a necessidade dela neste momento.
Devemos ser francos com a gente mesmo e refletir se estamos aptos a suprir aquela necessidade e se realmente estamos preparados para assumi-la.
Apesar de às vezes não ter exigência em alguns lugares, é necessário que determinemos tempo que vai ser doado marcando o dia e a hora e o tempo de duração que temos para dispor a função que escolhida. Algumas funções têm importâncias fundamentais e se largada no meio do caminho pode provocar mais danos do que reparos. Por exemplo, o atendimento psicológico, o psicopedagógico, psiquiátrico, etc.
Quando a instituição precisa de ajuda de voluntários geralmente está carente e sem condições financeiras para preencher suas necessidades. E seus freqüentadores ficam carentes de atendimentos também.
A instituição necessita de um tempo para se adaptarem a nossa presença e confiarem em nosso trabalho, e também mais tarde á nossa falta.
É maravilhoso poder e querer ajudar mais existe uma velha expressão que com certeza é muito verdadeira “De boa intenção o inferno está cheio”
Precisamos olhar o serviço voluntário com a responsabilidade e seriedade que ele merece. O perigo de prejudicar alguém ou piorar a situação da instituição é muito grande, não podemos contar com isso para ir para o céu e nem pra ser chamado de bonzinho.  Devemos encarar como uma rica experiência de ensino aprendizagem, onde você divide seus conhecimentos com o outro numa troca aumentando assim sua bagagem profissional, humana e adquirindo uma vivencia única.

O prazer de ser parte do voluntariado de uma instituição é que podermos fazer a diferença, ajuda-la a crescer, a melhorar e mais do que nunca, levar àqueles que precisam um conhecimento que é só nosso e aprender com eles a conhecer outros destinos que muita das vezes, conhecemos apenas por televisão em filmes e programas.

 

 

 

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DICAS DE COMO SE APRESENTAR
NO MERCADO DE TRABALHO.

 

1. Apresentação Pessoal
Roupas, sapatos limpos e higiene pessoal garantem uma ótima recepção entre os ouvintes.
Lembre-se: Um semblante alegre. A primeira boa impressão é a que fica..
2. Naturalidade
Em primeiro lugar: Seja natural!
Em segundo lugar: Seja natural!
E... finalmente, em terceiro lugar: Seja natural!
Não incorpore em si aquela falsa máscara do artificialismo.
Elimine a rigidez dos músculos faciais e do globo ocular, pronuncie a palavra maçã, macieira e macieiral.
3. Calma, relaxamento e auto-confiança
Antes de falar ou apresentar-se em público, faça em sua casa um alongamento. Estique as mãos, braços, pernas, gire o pescoço suavemente. Respire profundamente pelo nariz, solte o gás carbônico suavemente pela boca, por duas ou três vezes. Relaxe-se!... Aperte firmemente a sua mão e diga: "Sou inteligente e sou capaz! Eu sei, quero, posso e faço"! - "A minha apresentação será um sucesso"!
4. Não antecipe o mau-humor
Não antecipe o mau-humor pelos erros não cometidos. Preste atenção nos discursos que antecedem e pense, positivamente, que o seu será melhor. Não segure nada nas mãos de extravagante para não chamar a atenção dos ouvintes. Antes de dirigir-se à apresentação, aperte as mãos discretamente, descarregando a tensão, e respire suavemente. Evite os vícios de abotoar e desabotoar o paletó coçar-se a todo instante, dedo no nariz. O macete para vigiar o comportamento inconsciente é imaginar-se sendo filmado
5. Dicção, voz e respiração
Pronuncie bem todas as sílabas, especialmente as finais. Faça um treinamento de respiração diário enchendo bem os pulmões, coloque uma caneta na boca e pronuncie claramente: "A gata branca capenga que gostava de caçar codornas aprecia o mameluco melancólico que medita, enquanto a bela baiana, boneca de bronze pisca ao deputado demagogo decifrando os documentos de Madalena”.
6. Gestos e postura
Mais uma vez, enfatizamos a naturalidade na postura e nos gestos.
Espalhe a visão sobre todos os participantes. Evite: mãos nos bolsos, nas costas, cruzar os braços, ficar rígido, sustentar todo o corpo sobre uma das pernas, andar apressadamente de um lado para o outro.
7. O Vocabulário e o Auditório
Antes de iniciar a apresentação, examine as condições e a constituição do público, a idade média da platéia, a formação social, cultural, moral e intelectual dos mesmos. Saiba o tamanho do auditório, os recursos didáticos a serem utilizados. Fale sobre aquilo que você conheça. O vocabulário que todos gostariam de escutar é aquele que se adapta com os ouvintes. Respeite as normas gramaticais: sujeito, predicado e complemento, concordância nominal e verbal.
8. E o Medo ???
Controle-o. Você não é o primeiro. Todos os grandes oradores suavam nos primeiros instantes das apresentações. É normal tal fato. Encare-o com naturalidade. Com o tempo, a sua experiência, a prática e a tranqüilidade dominarão esse obstáculo. Esse tipo de medo já foi considerado, nas pesquisas, como o maior medo do homem. Saiba que o orador não nasce feito. Por mais experiência que ele tenha, só a prática da apresentação em publico é que o consagra, superando e liberando a adrenalina em troca da endorfina e do sucesso.
9 . O Discurso
Divide-se em 4 fases: Pré-introdutória: - mencionando o nome das autoridades (Federal, Estadual, Municipal, Militar e Eclesiástica).
Fase Introdutória: com uma leve e sucinta exposição dos motivos da fala. Abra com uma frase de impacto. Uma história ou um fato que tenha tudo a ver com o momento. Elogie e agradeça a presença dos ouvintes. Prenda a atenção, dizendo tratar-se de um assunto raro e importante. Prometa brevidade. Jamais peças desculpas, como por ex: "Não estou preparado." "Minha voz está rouca". "Estou com problemas de saúde". Fase Central: No corpo do discurso, motive, fundamente, dívida em partes, demonstre confiança e entusiasmo nas suas afirmações. Fase de Encerramento ou final: Nessa fase aumenta a atenção do auditório para o final, aproveite-a, e numa síntese termine com uma reflexão.
10 . Orador x Auditório
O orador tem que ser polido, criativo, interessado, entusiasmado e com muito jogo de cintura.

Não poderá perder a calma se algum inconveniente acontecer durante a apresentação.

 

 

 

 

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INCLUSÃO SOCIAL

Luana Curi
Psicopedagoga

 

Têm sido grandes os progressos nas áreas de diversidades, com melhores oportunidades educacionais e maiores a disponibilidade de informações necessárias a educadores que ensinam grupos diversos. Entretanto, a promoção de ambientes flexíveis e sensíveis às necessidades singulares dos mesmos; não é tarefa fácil no âmbito da educação nem da sociedade em geral.
A inclusão abrange conceitos importantes como respeito, apoio, e possui um valor social que se considerado desejado, torna-se um desafio no sentido de conduzir esse processo de interação.
Não existe um conjunto de práticas estáticas, mas sim um conjunto de ações e relações dinâmicas entre todos os envolvidos.
Para que se promova a inclusão é necessário o envolvimento de todos os membros da nossa sociedade.
Quando apenas o portador de necessidades especiais é “jogado” dentro da sociedade, a qual não esta preparada para recebê-lo, dentro de uma escola que não tem um preparo pedagógico e nem um espaço físico apropriado, há na realidade uma exclusão dos mesmos.
Incluir requer interagir, inserir, e principalmente conhecer e aprender com o outro, vendo nele um ser capaz de participar de todo o processo social exercendo sua cidadania, com os direitos e deveres de qualquer outro cidadão, que apenas espera a oportunidade de mostrar suas experiências, sua vivencia e sua competência.  
Só haverá inclusão quando as pessoas começarem a levantar a bandeira e realmente fazer a diferença, alastrando-a para todos os âmbitos e esferas da nossa sociedade.
A nossa capacidade de entender e reconhecer o outro é que nos dará o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós e será a responsável pelo sucesso ou fracasso da inclusão. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção, seja para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento mental, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo.
As condições políticas já estão determinadas, mas ainda estão sendo preparadas as estratégias para que ela aconteça na prática; é necessário ainda dar competência técnica e capacitar as escolas, o mercado de trabalho como também a sociedade em geral. 
A inclusão é tão difícil para quem é incluído como para quem inclui, já que o conhecimento e a interação entre ambas as partes se torna necessária para sua compreensão e realização em um contexto mais profundo.
Como incluir? Todos se perguntam. Impossível? De forma alguma, é possível a partir do momento que começamos trabalhar nossas próprias diferenças, pois, com ou sem necessidades especiais, somos diferentes uns dos outros. Precisamos entender que estar junto é se aglomerar como no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro.
Reconhecer e aceitar e conviver com as diferenças é o primeiro passo. Sabemos que é um processo cheio de imprevistos, sem fórmulas prontas e que exige aperfeiçoamento constante.
Do ponto de vista burocrático, cabe ao corpo diretivo buscar orientação e suporte das associações de assistência, das autoridades médicas e especializadas.
Mas o que fazer do ponto de vista pedagógico?
Há 110 mil alunos com alguma deficiência estudando em escolas regulares, segundo o Inep. O Censo 2002 mostra que a inclusão vem ganhando espaço desde 1998, aumentou 135%, mas ainda é minoria. Cerca de 340 mil crianças com deficiência, onde a mental é a mais comum, seguida da auditiva, da visual e da física, estão segregadas.
Algumas dicas para a inclusão educacional:

  • Inclusão do aluno com deficiência visual

Para dar condições de aprendizagem a um aluno cego, a escola precisa ter uma sala de apoio com atendimento especializado. A batalha por esse recurso é um trabalho em equipe.
Vemos que a nossa realidade não é essa. O que fazer se você recebe um aluno com deficiência visual e a escola não tem sala de apoio? A tarefa não é fácil e a batalha pela implantação da sala deve acontecer dia sim, outro também. Enquanto esse passo não se concretiza, é necessário que a escola busque pelo menos o apoio pedagógico em instituições especializadas.
O uso do PDI (plano de desenvolvimento individual) é de extrema importância já que são através dele que vão se dar as primeiras providencias que neste caso é diferenciar a cegueira da baixa visão, o que vai determinar a estratégia adequada para receber o aluno. O diagnóstico deve partir de um oftalmologista. Se o aluno for cego, as alternativas para o professor regente, sem o apoio de um especialista, são bastante limitadas. Ainda assim, é possível aproximar-se do aluno, observando e valorizando os sentidos que ele usa com mais habilidade.
O diagnóstico de baixa visão indica o que se chama de quantidade de visão. Mas não se devem definir as ações em sala de aula com base somente nessa informação. Quantidade não significa funcionalidade. Por isso, é igualmente necessário conhecer bem o aluno. O professor pode perceber o que ele faz realmente com a visão e, assim, saber quais são os limites de suas ações. É preciso acreditar na possibilidade visual do aluno. Quem tem baixa visão, por exemplo, lê caracteres ampliados. No quadro, as letras precisam ser grandes. Já o texto dos livros precisa ser transcrito no caderno do aluno. O ditado também é um bom caminho.

  • Inclusão do aluno com deficiência mental: missão de toda a escola

Por acontecer em níveis muito variados, a deficiência mental pede um trabalho de inclusão individualizado. Porém, socializar, adaptar o currículo e apostar na autonomia do aluno é tarefa que precisa ser abraçada por todos na escola. O aluno com necessidade especial está sempre adquirindo conhecimento, mesmo que não seja o formal.
A socialização que ele aprende na escola lhe traz algo essencial, a autonomia.
Se o professor percebe que o verdadeiro papel da escola é o de despertar diversos conhecimentos, a ansiedade com o aluno especial diminui.
A tarefa de incluir um portador de deficiência mental não pode ser solitária. A inclusão é missão de toda a escola, que deve assumir a situação e verificar que condições possui ou não, o que pode e não pode fazer. "Inclusão não é entregar o aluno especial para a professora que tem mais jeitinho". Após a matrícula, toda equipe deve se reunir para pensar na socialização do aluno, na adaptação curricular, na participação da família, nas parcerias com postos de saúde e com escolas especiais. É preciso criar um projeto pedagógico orientado para a inclusão.

  • Inclusão do aluno com deficiência auditiva

A deficiência auditiva é uma das mais difíceis de conseguir a inclusão, necessita de cuidados ainda mais especiais, por possuir identidade diferente, cultura própria e linguagem própria reconhecida e oficializada, se torna necessário que o conhecimento a respeito desta deficiência seja mais aprofundado.
Reconhecida como meio legal de comunicação e expressão, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é cada vez mais necessária na sala de aula.
O professor ou qualquer outro especialista que acompanha a inclusão deve sim fazer um curso especifico de inclusão de deficientes auditivos para se interar da comunidade surda e sua linguagem. Sem estes conhecimentos é impossível uma comunicação e sem a comunicação impossível o aprendizado.

  • Inclusão do aluno com deficiência física

Quando se vai receber um aluno com deficiência física é necessário conhecer o tipo de deficiência que ele apresenta e adaptar a escola de acordo com as necessidades do aluno especial.
Cada deficiência tem sua peculiaridade. Uma pessoa com baixa visão provocada pelo deslocamento de retina não pode levar uma bolada no rosto, pois corre o risco de ficar cega.
Pessoas com síndrome de down são mais dispersas e, portanto, precisam de aulas mais dinâmicas.
A peculiaridade da chamada necessidade especial de natureza intelectual é que ela não é mensurável, como nos casos da deficiência visual e auditiva. Não existe padrão, cada um responde a um estímulo. Por isso, para a criança com necessidade especial, acessar e construir conhecimento o professor deve conhecer a história do aluno, reconhecer o que ele sabe como aprende e estudar a deficiência, envolver a família e estabelecer vínculos, considerando que ele ainda não aprendeu, mas pode fazê-lo.
Nada disso faz sentido se você não acreditar que o aluno com deficiência tem potencialidades e capacidade para estar junto com os demais alunos e aprender em igualdade de condições. A busca por essas condições não pode ser solitária.
Um grande problema enfrentado ainda pela inclusão é o movimento de resistência através da força corporativa de instituições especializadas, principalmente em deficiência mental. Muita gente continua acreditando que o melhor é excluir, manter as crianças em escolas especiais, que dão ensino adaptado. Mas já avançamos. Hoje todo mundo sabe que elas têm o direito de ir para a escola regular. Estamos num processo de conscientização.
A escola tem que ser o reflexo da vida externa ao seu meio. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos. A inclusão possibilita aos que são discriminados seja pela deficiência, pela classe social ou pela cor, que por direito, ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade.

  Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser.

 

 

 

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O DISCURSO.

(Sérgio Biagi Gregório)

 

Discurso - do latim discursu(m) - significa ação de correr por ou para várias partes. O termo comporta polivalência de sentido. Em oratória, designa a elocução que visa comover e persuadir; na esfera dos estudos lingüísticos, representa a "sucessão coordenada de frases"; em trabalhos de cunho científico, assume a denotação de "tratado", "dissertação", como, por exemplo, o Discurso do Método de Descartes; em filosofia, distingue-se o teor "discursivo" do "intuitivo".
A estrutura do discurso fundamenta-se no exórdio, na argumentação e na peroração. Embora tenhamos muitas técnicas para bem iniciar e terminar uma alocução, não resta dúvida que a argumentação é sua trave mestra. Esta é a parte em que o indivíduo mostra o seu conhecimento, a profundidade de seu pensamento. Para que haja comoção e persuasão, os princípios elaborados devem ser lógicos e coerentes.
Expressamo-nos através da palavra pensada, falada ou escrita. A sonoridade da voz e a dicção perfeita auxiliam a propagação de nosso pensamento, porém o que realmente conta é a essência daquilo que queremos transmitir. Voz adocicada e gestos delicados podem, muitas vezes, encobrir o verdadeiro caráter de um indivíduo. Contudo, se nos habituarmos a olhar criticamente, teremos condições de separar o joio do trigo.
Operações intermediárias encadeadas caracterizam o adjetivo "discursivo" oposto a "intuitivo". Urge reconhecer que a descoberta nas ciências e nas artes não segue uma seqüência de operações elementares parciais e sucessivas. Ela, muitas vezes, vem abruptamente. A ordenação das idéias surge "a posteriori" como elemento para tornar claro aquilo que se apreendeu de modo vago e obscuro.
O "discurso do homem" é a manifestação da sua personalidade. Melhorando o teor de nossos argumentos, mudaremos o conceito que os outros formam de nós. Leitura metódica, estudo constante e reflexão freqüente auxiliam sobremaneira a aquisição de novos valores da vida. Sem esforço perseverante da vontade, nada de útil conseguiremos amealhar em prol de nosso passivo intelectual.
Escolhamos com critério os alimentos material e espiritual, a fim de que o nosso "discurso" seja repleto de força, determinação e otimismo.

Discurso: Lógica e Dialética

A filosofia tem o seu universo, ou seja, o "universo do discurso". É uma argumentação de idéias. Há sempre um perguntar. Não se pergunta por perguntar, mas para obter uma resposta. Não qualquer resposta, porém uma resposta que aclare e explique. A insatisfação da resposta gera novas perguntas, de tal modo que se amplie a visão do tema estudado. Em linguagem mais simples: é um aprofundamento do assunto tratado.
O orador deve ser apto para falar sobre qualquer assunto e em qualquer lugar. Para tanto, deve ter em mente as noções de lógica e de dialética. A lógica é a condução correta do pensamento; a dialética, na boa visão de Hegel, é o diálogo dos opostos. Quer dizer, à toda afirmação corresponde uma contradição. Observe que geralmente aprendemos mais pelos erros do que pelos acertos, tomamos mais consciência do bem através do mal do que pelo próprio bem.
O fato de haver pontos de vista opostos aos nossos não deve nos intimidar. Muito pelo contrário, devemos, a cada passo, estimular ainda mais a confiança em nós mesmos. Somos mais capazes do que imaginamos. A partir do momento que soubermos fazer nexo com os fatos e com os acontecimentos, seremos capazes também de discutir sobre qualquer assunto. Há, contudo, uma providência a tomar, ou seja, verificar se tudo o que tencionamos saber faz realmente parte de nossa programação de vida.
O estudo da lógica, consistência do bem pensar, e a dialética, o elo de ligação entre a refutação e a afirmação, encaminham o nosso pensamento para a vivência plena das experiências. Esse modo de interpretar o real – o mundo que nos cerca, municia-nos de uma ferramenta valiosa para a construção do nosso próprio discurso, ou seja, um discurso elaborado a partir de nós mesmos, de nossas limitações e potencialidades, no sentido de tudo expressarmos com as nossas palavras e o nosso modo de ser.
A contradição, a dúvida e o questionamento ajudam sobremaneira a veiculação do nosso pensamento. Contudo, ao transmitirmos as nossas idéias, convém disciplinarmos as palavras para que estas não causem confusão e insegurança naqueles que nos ouvem. Faltando-nos a atenção e confiança do público, as nossas palavras caem no vazio. Por isso, o esforço constante no trato com a palavra, tornando-a sempre mais fluida, mais dócil e mais fácil de ser entendida.
Não nos preocupemos com a pouca repercussão de nossos discursos. Importa que a semente seja bem semeada, pois no seu devido tempo ela dará os seus frutos.

A função do semeador é semear e nada mais.

 

Discurso: Preparação (*)

1. A PREPARAÇÃO
- À preparação gráfica que exige uma série de trabalhos inúteis, prefira a preparação mental, mais lógica e adequada. É o ouvido que faz o orador. A melhor forma de praticar a oratória é treinar o improviso todas as manhãs.
- O trabalho de reunir documentação e planejar o discurso não obedece a planos rígidos. Os métodos clássicos de preparação do discurso continuam a ser o escrito e o esquematizado. Recomenda-se escrever o discurso pela prática que se adquire na redação, embora se recomende mais, para ser utilizado na elocução oral, o esquema.
- Ensaie perante o espelho, com um relógio à mão. O espelho dá ao orador uma idéia exata de sua aparência, pose e gesticulação.
- Poucas pessoas preparam-se antes de falar em público, daí os defeitos tão comuns:
1) Voz mal colocada.
2) Falta de alcance devida à má articulação.
3) Cortes ou tropeços nas consoantes.
4) Imprecisão nos acentos.
5) Voz que cai nos finais das frases.
- É preciso introduzir as palavras nos ouvidos, nos olhos e no cérebro dos que escutam. Você precisa ser ouvido, visto e compreendido ao falar.

O Prof. Décio Ferraz Alvim recomenda um plano para expor qualquer assunto em público:
1) Defina e conceitue.
2) Apresente os prós e os contras.
3) Enalteça os prós.
4) Refute os contras.
5) Apresente uma conclusão lógica, com a sua opinião pessoal.
- Para despertar o interesse do público, é preciso deixar-lhe uma parte dos pensamentos. Não se lhe deve dizer tudo. O público tem cabeça e deve usá-la. A obediência a esta norma faz com que a audiência participe das suas opiniões e conclusões.
- Ao falar, lembre-se de que a audiência espera que você fale com autoridade. Observe seus ouvintes. Eles lhe mostram a medida da atenção que você está sendo capaz de despertar. Quando tiver terminado, cale-se. É preferível falar de menos, do que falar demais. Procure deixar no espírito do assistente a idéia de que foi pena ter falado tão pouco.

2. TEMA
- Não escolha nunca um tema que lhe seja estranho.
- Como a memória é uma faculdade que esquece, não leia apenas com os olhos, mas também com a caneta.
- Além dos livros, converse com as pessoas que conhecem o assunto.
- Perguntaram certa vez, nos Estados Unidos, a um pastor protestante como organizava os seus sermões, sempre lógicos, de fácil compreensão para qualquer ouvinte. Ele explicou que dividia o sermão em três partes:
— primeiro digo o que vou dizer. Depois, digo. Para acabar, digo o que disse.
Quanto à  preparação, distinguem 4 tipos de discurso:
1) O improviso.
2) O Discurso preparado.
3) O Discurso lido.
4) O discurso com roteiro.
- A maioria dos oradores está de acordo em que não se deve ler um discurso. O texto se interpõe entre o orador e o auditório, perturbando um e outro. Falar de memória é um  grave risco e a mesma barreira mantém-se entre o orador e auditório, embora mais sutil. Alguns oradores escrevem os discursos, esquecem-nos de propósito e, chegado o momento de falar, estabelecem um equilíbrio entre a memória e o improviso. Somos favoráveis à preparação de um esquema, que não deve ser telegráfico — pode perturbar em vez de ajudar — e nem muito extenso.
- Até existir um domínio perfeito da palavra oral, convém evitar o improviso. Neste tipo de oração, muito principiante naufraga, adquirindo complexos. Admite-se o improviso, de início, apenas nos cursos de Oratória, onde se é acompanhado pelo professor.

3. LEMBRETES
1) À medida que se sentir mais confiante diminua o tamanho do roteiro.
2) Procure controlar o sistema nervoso. O nervosismo só transparece caso V. queira. Uma aparência tranqüila inspira confiança. Faça por mantê-la, embora, no interior, V. esteja com medo da platéia.
3) DÊ tudo o que tiver! Um orador não se poupa.
4) Caso haja necessário ler o discurso, não grampeie o manuscrito. Deixe as folhas soltas. Conforme o lugar, poderá ir deixando cair as folhas, na medida do desenvolvimento do discurso.
5) Sublinhe as palavras e as frases importantes.
6) O discurso com roteiro deixa o orador em liberdade, mantendo-o dentro de um esquema. Não hesite em utilizar suas notas. A audiência não se incomoda com isto. Ao contrário, vê o cuidado com que V. se preparou para servi-la
7) Para terminar um discurso Simons sugere:
a) Faça um resumo de tudo quanto disse.
b) Faça um apelo à ação.
c) Faça um agradecimento sincero.
d) Conte uma história interessante, bem humorada e adequada ao tema.
e) Faça uma boa citação.
f) Arranje uma frase de efeito.
8) O interesse esfria e congela-se, quando o orador não sabe como terminar, ou termina de qualquer jeito. Todo o discurso precisa de um climax e você deve prepará-lo com o mesmo cuidado com que procura as primeiras cinco palavras. A primeira impressão é a que vale, mas é a última impressão a que fica.

4. AVALIAÇÃO
- Depois de falar, responda a estas perguntas:
1) A audiência reagiu bem quando eu contava que reagisse bem?
2) Senti o interesse do auditório durante todo o discurso?
3) Quais os pontos em que foi maior esse interesse?
4) Quais os pontos que menos interessaram?
5) Estavam corretos os meus gestos?
6) Não me perdi nenhuma vez?
7) Não consultei demais os apontamentos?
8) Comecei bem o discurso?
9) O tom de minha voz correspondeu às necessidades da exposição?

10) Terminei bem?

 

 

 

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O QUE NÃO FAZER NAS APRESENTAÇÕES EM PÚBLICO.

 

Pense rapidamente: nesses dois últimos anos quais foram os erros cometidos por consultores/comunicadores em aulas, palestras, reuniões e programas de TV, que mais aborreceram você? Que pecados foram esses que se tornaram uma barreira às informações veiculadas?
Como você se sentiu sendo testemunha de deslizes que, muitas vezes, significaram o comprometimento da qualidade do trabalho ali exposto?
Organizamos uma lista de muitas muletas verbais e não verbais, que costumam destruir as apresentações em público, enfraquecendo o poder da mensagem e impedindo uma sintonia eficaz com a platéia.
A idéia é que você leia o texto, assinalando aqueles erros que mais se encaixam em sua atuação no papel de comunicador

Comunicação Verbal


EVITAR:
- Falar muito baixo ou muito alto;
- Pronunciar mal as palavras;
- Falar muito depressa ou muito devagar.
- Não pronunciar corretamente os termos estrangeiros;
- Utilizar vícios de linguagem: tá?, Né?, OK?, Certo?, Entendeu? Percebe? É isso aí!, - Tipo assim..., a gente...., acho que....,...
- Falar de forma robotizada;
- Cometer erros gramaticais;
- Comer os "esses" e "erres";
- Falar de forma estridente;
- Pronunciar as palavras atropeladamente;
- Falar em tom monocórdico;
- Ser prolixo ou monossilábico;
- Coordenar as idéias de forma inadequada;
- Exprimir-se sem objetividade e clareza;
- Fazer uso de termos técnicos para público leigo;
- Não considerar o momento, local e meio mais oportuno para transmitir a mensagem;
 - Respirar mal;
- Utilizar argumentos inconsistentes;
- Perder-se no exagero de detalhes;
- Diminuir o volume da voz nos finais das frases;
- Não utilizar bem a pontuação;
- Não enfatizar as idéias principais;
- Abusar do excesso de citações;
- Usar vocabulário inadequado;
- Organizar mal a apresentação;
- Falar com voz áspera de gutural;
- Estruturar mal as idéias.
Achou a lista muito extensa? Vamos entrar para a Segunda parte...

Comunicação Não-Verbal


EVITAR:
- Usar gestos que transmitam nervosismo e inibição;
- Mexer na gravata;
- Brincar com chaveiros e canetas;
- Ficar ajeitando os cabelos e os óculos;
- Coçar as orelhas, cabeça, nariz, etc.;
- Pigarrear;
- Bocejar;
- Descansar o corpo, deixando-o pender para o lado direito ou o esquerdo.
- Olhar todo o tempo para o sapato;
- Olhar através das pessoas;
- Postar-se como estátua;
- Movimentar as mãos em excesso;
- Postar-se como se tivesse peito de pombo;
- Mastigar qualquer tipo de alimento
- Mascar chicletes ou chupar bala;
- Roer unha;
- Deixar os braços cruzados;
- Colocar as mãos para trás;
- Ficar com as pernas abertas como se fosse uma forquilha;
- Ficar de costas para a platéia;
- Torcer as mãos demonstrando ansiedade;
- Curvar o corpo para frente ou para trás desnecessariamente;
- Andar sem motivo;
- Balançar o corpo de um lado para outro;
- Olhar só para uma pessoa da platéia;
- Deixar o corpo torto;
- Colocar as mãos nos bolsos e não tirá-las mais;
- Olhar para o vazio;
- Adotar a posição de xícara, as duas mãos agarradas à cintura;
- Deixar os braços cruzados;
- Ficar piscando;
- Apoiar-se nos móveis do cenário;
- Assoar o nariz.
- Utilizar gestos teatrais fora de hora;
- Olhar para o chão ou para o teto;
- Olhar várias vezes para o relógio demonstrando pressa;
- Utilizar inadequadamente os recursos audiovisuais;
- Fazer do ponteiro ou da caneta lazer arma contra o público;
- Carregar nas mãos canetas ou lápis;
- Esconder-se atrás dos recursos audiovisuais;
- Ficar com olhar assustado ou expressão de tédio;
- Falar palavrões e gírias;
- Perder a interação visual com o público.

Comunicação Interpessoal


EVITAR:
- Demonstrar egocentrismo exagerado;
- Utilizar a comunicação como forma de poder;
- Mostrar-se arrogante e prepotente;
- Demonstrar subserviência;
- Manipular a platéia;
- Não prestar atenção às perguntas da platéia;
- Não utilizar empatia;
- Ser irônico e sarcástico;
- Não saber ouvir;
- Revelar preconceitos;
- Apresentar-se sem estar preparado;
- Ignorar a etiqueta empresarial.
- Chegar atrasado;
- Demonstrar preferências pessoais;
- Ser incoerente quanto aos gestos, atos e palavras;
- Ser inflexível;
- Não saber administrar os conflitos interpessoais;
- Humilhar a platéia;
- Receber as perguntas da platéia como se fossem uma ofensa pessoal;
- Dizer que irá roubar o tempo dos espectadores;
- Não saber administrar o tempo da exposição;
- Querer enganar a platéia, falando sobre o que não conhece;
- Ignorar a linguagem corporal dos espectadores;
- Subestimar a importância do processo de sinergia;

E agora, pensemos novamente: em que medida nós também estamos cometendo diariamente esses mesmos erros e desacertos, que tanto criticamos nos outros?
Quais serão os nossos pequenos vícios e manias, que roubam o interesse do espectador, anulando a possibilidade de uma comunicação receptiva?
Seria primordial que nos propuséssemos a uma análise criteriosa de nossas apresentações. Isso poderia representar um instrumento importante para a construção de uma comunicação fluente, segura e objetiva, sem tantas interferências, que prejudicam substancialmente a interação com a platéia.
É preciso deixar emergir em cada um de nós a humildade, para que essa avaliação possa nos dar um feedback dos pontos fortes e vulneráveis de nossa atuação, permitindo-nos a correção de rotas.

O nosso público, com certeza, irá nos agradecer por isso!

 

 

 

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ORÁCULO DA VIDA.

Renato Ferreira
rfspsique@gmail.com

 

         Para que se quer viver o que imediatamente depois se há de esquecer? Que significado tem essa forma de conduzir a vida? Que consciência pode haver da vida, se não se sabe conduzi-la?Quantos medos? Quantas dúvidas de si? Quantos segredos a serem revelados...?
        Muitos preferem esquecer seu passado. Se querem fazê-lo é, sem dúvida, porque não foi muito bom nem muito feliz. Mas eis aqui a pergunta, a cuja resposta lhes remeto: Se podemos fazer com que cada dia, com que todos os dias do futuro sejam bons e férteis para nossa vida, esqueceremos depois tudo quanto temos desejado viver, quanto temos vivido? Cada um pode formular-se essa mesma indagação.
       Quem deixa que a vida passe e se afaste, na esperança de alcançar com isso algum propósito, será porque não a quer, porque não a quis e, em conseqüência, enganou-se a si mesmo toda sua vida. Esta é a amarga realidade que vivem os seres humanos hoje. E por que esse passado aparece sempre como um fantasma, como algo que ninguém quer recordar? Porque muito desse tempo transcorrido foi vivido inconscientemente, não como de verdade se deve viver a vida, registrando todos os fatos na consciência. É por isso que a vida passa e se vai, necessitando os seres clamar diariamente por um dia mais, um ano, muitos anos e, claro, para deixar que a vida passe e se perca, como sempre, no esquecimento. É assim como se deve valorizá-la? É essa a prova que estamos dando ao Criador, de que sabemos para que estamos aqui na Terra, por que vivemos e para onde vamos?
       Quando se começa a ter consciência da vida, quando ao respirar sentimos a plenitude da mesma, devemos ter presente que, ao pensar, respiramos também essa parte de vida inteligente que necessitamos viver. Pensando respiramos vida, respiramos mentalmente, permitindo assim que todos os recursos mentais funcionem com normalidade, sem deficiências; e, quando se tem a segurança de que se é consciente em todos os instantes do que se pensa, do que se faz e de tudo quanto se observa, a vida adquire outro significado: deixa de ser o que foi, isto é, algo indefinido, que se vive sem pensar, para tornar-se algo em que se vive pensando e que proporciona com isso a consciência do que se vive.

Renato Ferreira é graduando em psicologia e membro do PHV do Hospital São João de Deus.

 

 

 

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OS 100 ERROS MAIS COMUNS.

 

Erros gramaticais e ortográficos devem, por princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como ocorrem com maior freqüência, merecem atenção redobrada. O primeiro capítulo deste manual inclui explicações mais completas a respeito de cada um deles. Veja os cem mais comuns do idioma e use esta relação como um roteiro para fugir deles.
1 - "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.
2 - "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
3 - "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.
4 - "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.
5 - Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.
6 - Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.
7 - "Há" dez anos "atrás". Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.
8 - "Entrar dentro". O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.
9 - "Venda à prazo". Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.
10 - "Porque" você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.
11 - Vai assistir "o" jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.
12 - Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.
13 - O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.
14 - Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente" (beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinqüenta), "zuar" (zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo), "ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).
15 - Quebrou "o" óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.
16 - Comprei "ele" para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.
17 - Nunca "lhe" vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.
18 - "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.
19 - "Tratam-se" de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.
20 - Chegou "em" São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.
21 - Atraso implicará "em" punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.
22 - Vive "às custas" do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não "em vias de": Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.
23 - Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.
24 - O ingresso é "gratuíto". A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.
25 - A última "seção" de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.
26 - Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.
27 - "Porisso". Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.
28 - Não viu "qualquer" risco. É nenhum, e não "qualquer", que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.
29 - A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.
30 - Soube que os homens "feriram-se". O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou... O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.
31 - O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).
32 - Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?
33 - "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.
34 - O governo "interviu". Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.
35 - Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.
36 - "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.
37 - A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.
38 - A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.
39 - Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.
40 - Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.
41 - Ele foi um dos que "chegou" antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.
42 - "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.
43 - Ministro nega que "é" negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.
44 - Tinha "chego" atrasado. "Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.
45 - Tons "pastéis" predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.
46 - Lute pelo "meio-ambiente". Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.
47 - Queria namorar "com" o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.
48 - O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não "junto ao") Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não "junto aos") leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não "junto ao") banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não "junto ao") Procon.
49 - As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.
50 - Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me").
51 - Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.
52 - Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.
53 - A artista "deu à luz a" gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu "a luz a" gêmeos.
54 - Estávamos "em" quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.
55 - Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.
56 - Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.
57 - O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.
58 - À medida "em" que a epidemia se espalhava... O certo é: À medida que a epidemia se espalhava... Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.
59 - Não queria que "receiassem" a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).
60 - Eles "tem" razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.
61 - A moça estava ali "há" muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)
62 - Não "se o" diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.
63 - Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.
64 - Fique "tranquilo". O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.
65 - Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.
66 - "Todos" amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.
67 - Favoreceu "ao" time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.
68 - Ela "mesmo" arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.
69 - Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não "dos mesmos").
70 - Vou sair "essa" noite. É este que desiga o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).
71 - A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.
72 - A promoção veio "de encontro aos" seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.
73 - Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.
74 - Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.
75 - Ele "intermedia" a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.
76 - Ninguém se "adequa". Não existem as formas "adequa", "adeqüe", etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.
77 - Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda", substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas "precavejo", "precavês", "precavém", "precavenho", "precavenha", "precaveja", etc.
78 - Governo "reavê" confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem "reavejo", "reavê", etc.
79 - Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.
80 - O homem "possue" muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.
81 - A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...
82 - Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.
83 - Venha "por" a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.
84 - "Inflingiu" o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não "inflingir") significa impor: Infligiu séria punição ao réu.
85 - A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).
86 - Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).
87 - O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.
88 - Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV "a" preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.
89 - "Causou-me" estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não "foi iniciado" esta noite as obras).
90 - A realidade das pessoas "podem" mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não "foram punidas").
91 - O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.
92 - "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.
93 - A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.
94 - É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...
95 - Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não "para si").
96 - Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.
97 - A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg.
98 - "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas idéias...
99 - Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100 - "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver

 

 

 

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